#TemQueLer: “Um coração em guerra”

livro

O livro do #TemQueLer de hoje é de uma das minhas autoras preferidas, a Li Mendi. Além de mandar muito bem na escrita, ela é uma das pessoas bem fofas que já conheci no mundo literário. Quando fiz um mês aqui do blog, ela foi super gentil e me ofereceu uma entrevista.

Li quase todos os livros dela. O de hoje, li umas duas vezes (é meu favorito!) e indiquei pra minhas amigas. O amor por essa história é tanta que quando fui escrever meu livro (tem até o primeiro e o segundo capítulo aqui), não pensei duas vezes em usar os mesmos nomes pros protagonistas.


Sinopse: “Um Coração em Guerra” conta a estória de Caio e Bela, um casal de amigos que se vêem separados de repente e descobrem o quanto se amavam. Caio vai para a Academia militar e Bela tenta conviver com a distância do amigo, mas logo percebe que é impossível conter a paixão a cada vez que ele retorna.

Autora: Li Mendi

Onde encontrar: Site da Li Mendi


Caio é aquele amigo que todo mundo tem. Isabella, o Bela pros íntimos é também aquela garota que todo mundo conhece. Ele, nerd e roqueiro. Ela, patricinha e popular. Por mais improvável que pareça, eles são amigos. Mas é aquela velha historia, enquanto Caio é apaixonado por Bela, ela só o vê como amigo. Até o dia em que ele revela que passou em um concurso e vai precisar morar em outra cidade. E é ai que a ficha cai e a menina se vê apaixonada por ele.

Eles então engatam um namoro e precisam conviver com alguns empecilhos: a mãe que  acha que Bela não é a namorada perfeita pro filho, a prima que insiste em se jogar no colo dele e a distância.

“Sabe…. Eu posso estar em qualquer lugar…, Mas eu nunca vou deixar de te amar, esse amor já nasceu comigo. Eu só soube disso quando te conheci. ”

 

Bela começa a viver a sua vida e o seu namoro a distância com todas as complicações. Ela começa a faculdade de publicidade e deixa de ser aquela menina mimada que só pensava em compras. O relacionamento com Caio também passa por altos e baixos e tropeços.

O fim é até meio obvio, mas a leitura é tão fofa e tão contagiante que dá vontade de se tornar amiga dos dois, você torce mesmo. Infelizmente, só existe a versão e-book dele (já pedi pra Li uma versão impressa!). Se você é dos que torcem o nariz pra livro online, eu garanto que a leitura não vai te deixar a desejar!

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Livros de Sparks que viraram filmes

Mês que vem mais um livro do renomado autor Nicholas Sparks chega nas telonas. O escolhido dessa vez é o “Uma longa jornada” e tem como protagonistas: Britt Robertson e Scott Eastwood. Não é a primeira vez que um livro dele foi adaptado, né? Eu mesma já falei do lançamento em um outro post.  Apesar de nunca levarem a sério a história dos livros, o fato é que o cara é um dos campeões em adaptar suas publicações para os cinemas. Listei aqui aqueles que já foram parar nas grandes telas.

#1 – Diários de uma paixão (2004): diário

Foi o único que não li o livro (ainda) e provavelmente por isso que curti muito e é um dos meus preferidos. Estrelado pela Rachel McAdams e Ryan Gosling. Eles se conhecem ainda jovens, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, por serem de classes sociais diferentes, a família dela é contra o relacionamento deles. Anos se passam e Allie está prestes a se casar, mas ainda não se esqueceu de Noah e volta para a cidade e o reencontra. Anos mais tarde, o já velho Noah conta todos os dias conta a história deles para a sua esposa que sofre de Alzheimer. O lado bom é que o livro tem continuação (O Casamento), só não sei se há planos que vire filme. Merecia!

#2 – Noites de Tormenta (2008):

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Ao contrário do “Diário”, foi o único dos filmes dele que ainda não vi. Motivos? Não curti nadinha do livro, tá lá em último na minha lista de preferências das publicações do Sparks. Achei bem chato e arrastado. Não me emocionei no filme. O longa conta a história de Adrienne  e o dr. Paul. Ela, busca refúgio numa pousada de uma amiga para fugir do caos. Ele aparece por lá no meio de uma viagem procurando abrigo por causa de uma tempestade.  Foi estrelado por Richard Gere e Diane Lane.

#3 – A última música (2010) :
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De longe, um dos meus livros preferidos do Sparks. Só que veio a Hannah Montana e estragou a história linda, uma das mais fofas que já li e que me fez chorar. Ronnie, personagem da Miley Cyrus, é obrigada a passar o verão com seu pai (Greg Kinnear) que não via há anos junto com seu irmão mais novo em uma cidade litorânea no sul dos Estados Unidos. Contrariada, a adolescente problemática não conta com as surpresas que esses meses lhe trarão. Juro que não tenho birra contra a Cyrus, só que ela não passou a emoção necessária para a personagem enquanto no livro eu chorava litros nos capítulos finais.  Menção honrosa para a música “Climb”, que sim, eu curti.

#4 – Querido John (2010):

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Primeiro livro que li do Nick, portanto tenho um carinho pra lá de especial. Já do filme, bom..  tem algo que eu preciso desabafar: obrigada, por estragarem o final. #SQN. Sério, roteiristas! Vocês não entenderam a mensagem do livro? O longa fala da história de amor entre Savannah, interpretada pela fofa da Amanda Seyfried, e por John, personagem de Channing Tattum. Eles se conhecem durante o verão quando ele, que é um militar, está de férias e ela na cidade construindo casas populares. Quando ele volta para o quartel, começam a se comunicar por cartas (e o ano era 2010, okei). Apesar da mudança surreal do final (que mudou t-o-d-a a coerência da história), eu até que curti.

#5 – Um porto seguro (2013):filmes_2480_safehaven-004

zzZzzz.. Sério, tanto para o livro quanto para o filme. O longa conta a história de Erin Tierney que fugindo do seu marido violento vai se esconder na pequena cidade de Southport, na Carolina do Norte, sob a falsa identidade de Katie Feldman. Lá, conhece o viúvo Alex Wheatley e se envolve com ele, se afeiçoando aos seus filhos pequenos, Lexi e Josh. Katie também faz amizade com a sua vizinha Jo. Bom, o resto é spoiller. Eu não curti, achei cansativa mas teve gente que adorou, né? O casal principal é interpretado pela Julianne Houghs e pelo Josh Duhammel. Confesso que o fim é até que fofo. Mas só o fim mesmo. E até um bocado surpreendente.

#6 – Um homem de Sorte (2012):

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O filme vale a pena por motivos de Zac Efron mostrando que não é mais um rostinho bonito e muito mais do que a trilogia HighSchool Music. Logan é um sargento do Exército americano que percorre o país atrás da sua salvadora. Sim, salvadora. Acontece que no meio da guerra ele foi salvo de um bombardeio ao sair de onde estava ao avistar uma foto. E sempre que estava com a fotografia de uma moça ele se salvava de morrer. Considera então que a moça desconhecida é seu amuleto e decide encontra-la a todo custo. A única informação que ele tem é o casaco de uma universidade que a mulher na fotografia tá usando e parte rumo a Carolina do Norte. Lá conhece Beth , interpretada pela Taylor Schilling , professora e divorciada (a tal moça), ele se oferece para trabalhar no canil que ela é dona e eles iniciam então um romance que logo chega aos ouvidos do louco do ex-marido dela, um policial filho de uma família rica e influente da cidade. Eu curti mais ou menos o livro. O filme é mais legal e por incrível que pareça foi fiel o suficiente.

#7 – Um amor para recordar (2002): 12813077

Primeiro longa baseado em um livro do Sparks. Chorei tanto com o filme e muito mais com o livro. Infelizmente, há diferenças entre os dois. Algumas, porém significativas. No livro, a história se passa na década de 50 enquanto na telinha a trama rola nos dias atuais. Landom (Shane West) é o típico adolescente rebelde. Punido por ter feito mal a um rapaz, ele é obrigado a ajudar na produção da peça de teatro da escola. Lá se aproxima de Jamie (Mandy Moore), a filha do pastor da cidade. E como todo bom folhetim, claro que eles se apaixonam. Mas para infelicidade do casal, a garota tá seriamente doente. E então, o rapaz que antes era conhecido pela rebeldia se torna um rapaz doce. Destaque para a trilha, que dá todo o charme pra história.

Para quem quiser assistir, “Uma longa jornada” tem previsão de estreia no dia 10 de abril. Confira o trailler aqui:

#TemQueLer: Anna e o Beijo Francês

O #TemQueLer hoje é na resenha de um livro tão fofo que quando termina você tem vontade de ficar amiga de todos os personagens. Já li ele tem uns três anos, mas ainda guardo um carinho aqui no meu coração por ele!

Índice

Sinopse:

Anna Oliphant tem grandes planos para seu último ano em Atlanta: sair com sua melhor amiga, Bridgette, e flertar com seus colegas no Midtown Royal 14 multiplex. Então ela não fica muito feliz quando o pai a envia para um internato em Paris. No entanto, as coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um lindo garoto -que tem namorada.

Ele e Anna a se tornam amigos mais próximos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Anna vai conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?

Autora: Stephanie Perkins
Páginas: 288
Editora: Novo Conceito

A história começa quando Anna, 17 anos, vai passar seu último ano escolar em Paris. Sonho de consumo de 9 a cada 10 pessoas. Mas dela não. Ela vai ter que se separar do seu quase namorado, da sua melhor amiga e da sua vida. Era tudo que ela não queria. Mas seu pai, que é um novo escritor de best-seller, a manda para lá. Chegando lá, faz novos amigos: Meredith, Rashimi e Josh. Entre eles, Étienne St. Clair. Passada a fase de adaptação, ela se sente em casa. E se envolve com St. Clair. O problema é que ele tem namorada. E uma das suas novas melhores amigas é apaixonada por ele. Ele tem um sotaque inglês incrível, segundo Anna. É charmoso, amigo e lindo. Incrivelmente lindo. O tipo de cara que toda garota se apaixonaria. Eu me apaixonei pelo jeito dele. Queria um St. Clair. Quem lê o resumo pensa: “mais um livrinho de adolescente.” Mas a leitura flui tão docemente que você quer mais. Quer ser Anna, ser amiga dela. Ela é engraçada do seu jeito. St. Clair então… nem se fala.
Eu devorei o livro, queria mais ! O texto é feito de forma leve e divertida. Tá de mal com a vida? Leia. Quer rir? Leia tb. Louca pra qua a autora, Sthephanie Perkins, lance outro no mesmo nível. Sinceramente, entrou pra lista de livros preferidos.

Novo livro da Emily Giffin!

Costumo dizer que a Emily Giffin é a minha terceira autora preferida (perdendo apenas para Marian Keyes e Sophie Kinsella) no estilo chicklit (aqueles que toda mulherzinha adora!) e eu já li todos os livros dela, tanto que fiz a resenha de um aqui. E adorei todos também. Claro que tenho um carinho maior por alguns. Para minha surpresa, descobri que ela já lançou um novo livro, o The One & Only.

Ainda sem data de lançamento no Brasil (ao menos eu ainda não descobri), ele vem também pela Editora Nova Conceito (como os outros livros dela) e tem uma história para lá de especial. Vamos ver?

Shea passou a vida inteira em Walker, um colégio completamente devotado ao futebol – uma paixão que ela compartilha inteiramente. Mesmo tendo tido a oportunidade de sair de sua cidade na época da faculdade, ela escolheu ficar por ser apegada demais a ela. Agora, com mais de 30 anos e após a cidade ter sido abalada por uma inesperada tragédia, ela passa a reavaliar suas escolhas e finalmente decide desistir da segurança de sua vida para se expor em um caminho inesperado. É então que ela descobre terríveis verdades sobre tudo o que sempre confiou e é forçada a enfrentar seus mais profundos medos, segredos e desejos.
Capa do livro na versão americana.

Capa do livro na versão americana.

No site da autora (www.emilygiffin.com), é possível comprar a versão em inglês do livro. Para quem não se garante, o jeito é esperar que a Novo Conceito lance em terras brasileiras.

Livro do Sparks vira filme!

Confesso! Tenho preconceito com filmes que são adaptados de livros. Isso se agrava quando eu vejo o filme depois de ler o livro, sempre acho defeitos ou me irrito pois não segue a coerência da história. Quando a adaptação é feita através de alguma obra do Nicholas Sparks, já sei que não vou curtir. Foi assim com “Querido John” (2010) e “A última música” (2010). Saí do cinema de cara amarrada não acreditando no que fizeram. Mas isso é assunto para outro post.

Pôster do filme "O melhor de mim" (fonte: site Adoro Cinema)

Pôster do filme “O melhor de mim” (fonte: site Adoro Cinema)

Vim aqui falar que, dia 17 de outubro, chega nas telonas um novo filme baseado em outro livro do Sparks. Com direção de Michael Hoffman (Um golpe perfeito), o longa conta sobre a história de  Amanda e Dawson, que foram namorados na adolescência, mas que por obra do destino acabaram se separando. Mais de 20 anos depois, acabam se reencontrando para se despedirem de um querido amigo em comum.

No elenco, Michelle Monaghan (O melhor amigo da noiva) e Liana Liberato (Se Eu Ficar) como Amanda Collier e James Marsden (Encantada) e Luke Bracey (Monte Carlo) como Dawnson Cole.

 

Confira aqui o trailer do longa:

Vem ai, último livro da saga!

Confesso que tento fugir das sagas, mas elas me encontram. Explico: sou daquelas que acaba criando afinidade com os personagens (seja de livros ou séries) e sofro quando eles terminam. Quando o livro é único já sei quando vai terminar. Foi assim com Harry Potter. E tá sendo assim com a saga do Percy Jackson.

Sempre tive curiosidade em ler os livros dele, mas sempre adiei. Tomei coragem depois de ver o segundo filme, “Percy Jackson e o Mar de Monstros.” Na realidade, são duas sagas. Na primeira, o foco é o acampamento grego e o Percy é o personagem principal. Na segunda (“Heróis do Olimpo”), somos apresentados ao acampamento romano e para outros personagens como Jason, Piper, Léo, Frank e Hazel.

O quinto e último volume que tem 432 páginas, será lançado pela Editora Intrínseca no dia 07 de outubro, simultaneamente com os Estados Unidos. Tá ansioso?  Eu também! E triste por antecipação, é claro. Então o jeito é aguardar até mês que vem. Confira aqui a sinopse:

Capa do último livro da saga. A versão americana é igualzinha! (fonte: Google)

Capa do último livro da saga. A versão americana é igualzinha! (fonte: Google)

No desfecho da série Os heróis do Olimpo, os tripulantes gregos e romanos do Argo II têm feito progresso em suas constantes missões, mas ainda não estão nem perto de vencer a sanguinária Mãe Terra, Gaia. Os gigantes estão de volta — mais fortes do que nunca —, e os semideuses precisam impedi-los antes da Festa de Spes, momento em que Gaia planeja despertar, derramando o sangue do Olimpo. Para piorar, visões frequentes da terrível batalha no Acampamento Meio-Sangue assombram os sete semideuses. A legião romana do Acampamento Júpiter, comandada por Octavian, está se aproximando das fronteiras do acampamento grego. Por mais que seja tentador usar a Atena Partenos como arma secreta contra os gigantes, eles sabem que a estátua é necessária em Long Island, onde talvez consiga impedir uma guerra entre os acampamentos. A Atena Partenos irá para o oeste, enquanto o Argo II segue para o leste. Os deuses, ainda sofrendo com a dupla personalidade, não podem ajudar. Como os jovens conseguirão vencer sozinhos um exército de gigantes? A viagem para Atenas é perigosa, mas não há outra opção. Eles já sacrificaram muito para chegar onde estão. E se Gaia despertar, será o fim.
O jeito é aguardar mesmo até o dia 07. E já ficar triste por ser o último.

#TemQueLer: Resenha ‘Ame o que é seu’

O #TemQueLer de hoje não vem com uma sugestão de blog, mas sim de um livro. Com vocês, a resenha de “Ame o que é seu“, da Emily Giffin.
  • Sinopse:
“Ame o que é seu”, conta a história de uma mulher que, após o seu reencontro com alguém do passado, começa a questionar suas escolhas e seus valores. O casamento de Ellen e Andy não parece perfeito, ele é perfeito. Até que em uma tarde supostamente comum, Ellen reencontra Leo, aquele que há 8 anos a deixara com o coração partido. Os sentimentos despertados em Ellen neste momento a fazem questionar se a vida que tem hoje é mesmo aquela que sonhara há anos atrás.
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A minha história com esse livro começa assim: estava eu, de bobeira numa livraria quando vi a capa e sentei pra ler a sinopse. Me apaixonei. Ai fui e peguei o primeiro capítulo. Fiquei encantada. Foi o primeiro livro da Emily que li (já li todos!) e gostei muito.
Ellen tem uma vida feliz e confortável ao lado do seu marido perfeito: Andy é bom, integro, a ama e é rico. Até que ela reencontra Léo, sua maior paixão no qual Ellen teve um término conturbado. Aquela paixão louca, volta. E ela fica na dúvida: ou fica com o casamento feliz ou se entrega a paixão? Confesso que gostei bastante da Ellen. Fica sempre aquela dúvida pra gente:“E se?” E se ela não tivesse largado o Léo? E se ela não tivesse casado com o Andy?
Ainda mais na época em que li o livro, pq eu me identifiquei absurdos com ela. Não curti muito o final, mas aceitei e entendi que era o melhor. Detestei a cunhada da Ellen, a Margot. Já aviso o quão insuportável ela pode ser. Já ouviu falar dela mas não se lembra? Ela é autora de outros livros como ‘O noivo da minha melhor amiga’ e que já virou filme.
Dados:
Livro: Ame o que é seu
Autor: Emily Giffin
Editora: Novo Conceito
Categoria: Literatura Internacional / Romance
ISBN: 9788599560532
Páginas: 312
Lançado: 2010

Entrevista: Li Mendi

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“É preciso ir longe para chegar mais perto dos corações”

Para inaugurar o blog no quesito “Entrevistas“, convidei a jornalista, publicitária e escritora carioca Li Mendi, 29 anos, com 12 livros escritos (sendo que três deles em versões impressa) a me responder algumas perguntas. Super acessível, a Li respondeu tudo! Imagina se fiquei feliz,  né? A Li começou a escrever aos 14 anos em cadernos e passava para as amigas lerem. Recentemente, lançou o livro “Coração de Pelúcia”, em que pela primeira vez escreve sobre um personagem cego. “Eu mergulhei fundo para escrever um personagem cego. Andei pela casa de olhos vendados, tentei executar tarefas domésticas assim. Eu fiz um laboratório de verdade. E o que mais facilitou chegar naquela profundidade das falas foi o planejamento No fim, tive um enorme prazer de receber muitos e-mails de leitoras super tocadas pela estória.”, ressalta a autora dos livros como “Fonte do amor“, que foi lido recentemente por mim.

Eu conheci o trabalho da Li Mendi, em 2009, quando li ‘Um coração em guerra” (meu preferido até hoje!) e me apaixonei pela história, tanto que quando resolvi escrever um livro também (postado aqui já!), não pensei duas vezes antes de colocar o mesmo nome do personagem masculino: Caio. E é claro que eu perguntei quando eu iria ter o meu favorito “em mãos”: Fica aqui seu pedido no meu coração. Quem sabe?, respondeu carinhosamente.

Vamos acompanhar a entrevista?

Li, para começar: “Um coração em Guera” é o seu livro mais “autoral”?

A cada livro que escrevo, procuro imprimir minha marca. Tenho o estilo engraçado, gosto de fazer personagens femininas sempre em apuros e colocar os cenários brasileiros como pano de fundo. À exemplo, a Jeni (do livro Um amor ao quarto ao lado) andando pelo centro do Rio de Janeiro e narrando sua visita em um diário. Outra característica minha é intercalar uma narração feminina e outra masculina. Gosto bastante de escrever na pessoa masculina, confesso que tenho mais facilidade, acredita? 

Imagino que cada livro para você seja especial, tipo filho que ama todos do mesmo modo, já que deve te lembrar uma fase da sua vida. Qual foi o que deu mais trabalho para conectar as ideias e qual que a escrita fluiu tranquilamente? 

Todos dão trabalho. “Será uma vez 2” recebi muitas reclamações. Era um livro verdadeiro demais, com falas muito chocantes. Então, eu matei o livro. É preciso também saber quando erramos a mão ou o leitor não aceitou bem. Se eu tivesse acreditado muito, continuaria. Então, fiz um novo começo. Ai, recebi críticas também sobre a pegada do novo rumo. E escrever sob essa pressão dos comentários a cada capítulo é para os fortes (rs)! Precisei, então, parar para organizar o meu casamento e estou um pouco travada para voltar, porque você precisa ter um ritmo, como uma dança. Vou terminar um inédito que estou fazendo e fechá-lo, sim. Gostem ou não gostem rs. Eu estou gostando. Ele é super sobrenatural, um tema que curto demais.

Já teve também alguma coisa que você falou ‘não era isso que tava pensando!!‘ Mas que já tinha ido ao “ar” (em relação aos e-books)?

Sobre os erros? Vários! Ai, as leitoras avisam no Fã clube ou por e-mail e vou lá, edito, corrijo e republico. Sem orgulho. O que importa é emocionar, errar faz parte. Costuma normalmente ter a ver com passagem de tempo, idade de pessoas etc. Ou, o nome não está escrito corretamente.

Capas de alguns dos livros escritos pela Li Mendi.

Capas de alguns dos livros escritos pela Li Mendi.

Existe algum assunto que você queira muito escrever e não conseguiu colocar no papel? 

(um minuto pensando e coçando o queixo.) Não tem algo que eu queira muito, mas, que eu tenho curiosidade. Será que quando eu for mãe eu vou fazer uma personagem com um filho pequeno? Me perguntei isso um dia desses. Tem os assuntos que eu já tentei e não consigo. Hot. Eu gosto até de um toque de sensualidade, mas, não curto colocar dez palavrões para chocar e dar tesão em quem lê. Eu prefiro que alguém pegue um trecho do meu livro e cite no Facebook. Você citaria um trecho de um livro hot na parte do vamos ver? Eu compro e leio pra entender o que o mercado gosta, mas, tem horas que é mais do mesmo. É o meu momento agora. Pode ser que daqui uns dez anos eu seja autora hot (será?) e vou me achar tímida ou sei lá por ter respondido isso agora. O importante é não forçar. Se não sai, então, escreva outras coisas. Tem espaço para todos.

O que você tá achando do cenário da literatura nacional, você acredita que ele tá mais valorizado? Eu mesma já li bons livros da galera do BR. Te dá um orgulho ao ver que estão ganhando espaço na prateleira?

Eu acho que cada vez mais se vê é literatura internacional traduzida empurrando os nacionais da prateleira. Somos colocados à venda na livraria online e zero espaço nas bancadas. Exceto se for de uma grande editora e comprar espaço. Sinceramente? Acho que continuamos deslumbrados pelo que o estrangeiro lê, como fazemos nos filmes… Fui a bienal do RJ (em 2013) e não vi um espacinho gratuito para o autor nacional sentar e autografar. Mas, para os ‘pops’ estrangeiros havia palcos meteóricos. É absolutamente frustrante. E não é só a classe de autor que sofre: pintores, escultores, músicos etc. Então, eu mantenho minha profissão de publicitária, tenho meu ganha pão e escrevo pelo prazer de exercitar a escrita e emocionar pessoas. Não ganho para viver disso. 

Sacie a minha nossa curiosidade: qual livro e autor que ultimamente anda na sua cabeceira?

Acabei de ler um livro mágico: “Prova do Céu” de Eben Alexander. Um máximo! Agora? Os Iranianos de Samy Adghirni, que conta a estória do povo iraniano e mostra como nós não os conhecemos mesmo. O que está por trás da vida das mulheres de burca? Precisamos sair do nosso lugar comum, ler temas diferentes, ver filmes de outras nacionalidades, ouvir outras músicas, mudar nossas paisagens para não escrever do mesmo jeito todo dia.

E quando você tá em um processo de criação, como é a sua rotina? Como a Li se vira? (Trabalho, casa, marido, vida social)

Quando estou escrevendo um livro inédito para imprimir, eu acordo às seis hora da manhã, tomo café já ligando o PC. Escrevo até dez para as oito. E tenho que tomar banho e me arrumar para estar no trabalho as nove horas. Chego em casa às oito horas, escrevo até as dez horas. E tento ir a academia umas três vezes por semana para ficar com pique. Começo a ir a todas as peças de teatro da cidade, a ver os filmes em circuito, a ler poesias, ouvir músicas diferentes. Viro uma esponja de sensações. Preciso estar muito inspirada enquanto estou diante da tela. Fico consumida, mas, já estou agora mais acostumada e com um ritmo criado, diferente do começo. Dura em torno de três meses essa rotina.

Você casou recentemente. Já pensou em escrever um livro com essa temática casamento?

Na verdade, estamos juntos há nove anos e morávamos há dois. Agora, estamos casadinhos na igreja e foi lindíssimo. Meus livros tem muitos casamentos ao final. Mas, foi bem emocionante quando eu me vesti com um vestido incrível de renda e entrei na igreja. Acho que o próximo que tiver essa narração terá uma emoção nova, porque agora eu vivi.

Alguns livros seus já foram publicados. Você pretende lançar um novo ou resgatar um dos e-books

É complicado a estratégia de lançar um que já está na rede. É um investimento altíssimo para qualquer um poder lê-lo na internet. Eu já reeditei Alma Gêmea por Acaso e estou vendo quando conseguimos publicar. 

Para terminar, Li. Eu adoro a sua relação com as suas fãs, você não é aquela autora que tá em um pedestal, sabe? Você se aproxima delas, participa. E, agora. De quem a Li é fã incondicional e queria ter esse tipo de relação?

Eu sou muito fã de alguns que se foram. Mas, se eu pudesse viajar no tempo, eu queria ir na Confeitaria Colombo, sentar e conversar com a Clarice Lispector. Acho que eu ia chorar muito. Ou com o Nelson Rodrigues. Sabia que li os livros com as peças de teatro dele quase todas?  Tinha uma coleção na biblioteca da minha faculdade e eu ia no ônibus de volta pra casa lendo. Vivos, Li Mendi! Ah! Eu ia adorar tomar um chá com a Lya Luft ou comer biscoitinhos com a Martha Medeiros. Mas, se eu ganhasse passagens aéreas, iria adorar tomar champanhe com macarrones com a diva Sophie Kinsella. Mas, curto culturas diversas. Amo filmes espanhóis e argentinos. E… devoro a cultura Coreana. Sou assinante de viki e vejo vários Kdramas comendo pipoca, sem direito a cia, porque me concentro completamente. 

Para conhecer mais o trabalho da Li Mendi, acesse o site dela que você vai poder fazer o download dos livros.


E então, gostaram? Quem vocês queriam ver aqui no blog sendo entrevistado? Escreva sua sugestão nos comentários!

O primeiro capítulo do meu livro!

Recolhi depressa a minha roupa que estava toda espalhada pelo chão do quarto do hotel. Aquela noite, sem dúvida, foi a melhor da minha vida. Da dele também, tinha certeza. Ele tinha conseguido se formar. “Finalmente”, pensei. Depois de longos anos, o meu menino era um homem. Uma lágrima desceu e um misto de orgulho e tristeza se abateu sobre mim. Eu não poderia ficar. Não haveria futuro para nós. Mesmo que os dois quisessem.

“Maldita tequila, deveria já saber que ela não me faz nada bem. Sempre consigo fazer alguma besteira quando eu a bebo!” pensei alto, no banheiro enquanto tentava me refazer. “Ele foi incrivelmente maravilhoso essa noite, em todos os sentidos.”, refleti relembrando os detalhes. “E essa cara quando tá dormindo então? De que o mundo não oferece perigo, que é tudo calmo, fácil.”

Sentada na poltrona que ficava de frente para a cama, enquanto calçava o sapato em silêncio, fiquei o observando, concluindo que sim, eu estava apaixonada pelo Caio. Perdidamente.

“E agora?” – eu estava em um dilema! Coloquei a mão na minha cabeça, tentando pensar rapidamente. “Ficar ou ir embora?” Eu tenho que sair antes que ele acorde e a gente fique com cara de bobo olhando um para o outro. Não posso ficar mais nem um minuto aqui. Mesmo que ele me odeie, eu tenho que ir. E fui. Sem olhar pra trás, sem um bilhete ou explicação. O sutil barulho da porta fechando se confundiu ao meu coração se despedaçando.

Alguns anos depois:

Abri correndo a porta de casa, pois o telefone estava tocando. Para variar, estava toda atrapalhada, cheia de coisas para segurar. Era bolsa, chave de casa, chave do carro, sacola de supermercado. Haja equilíbrio! Isso era tão eu…Foi só colocar o pé pra dentro do apartamento recém-comprado que o barulho da ligação parou. Com sorte, quem quer que fosse ligaria de novo. E foi o que aconteceu.

– Droga! – disse largando tudo no corredor de entrada e correndo para ver se conseguia atender a ligação.

– Alô ?? – respondi com a respiração bem ofegante.

Era Fred, meu amigo que falou impaciente do outro lado da linha.

– Mas que demora !! O que houve? Tenho boas notícias, tenho certeza de que você vai adorar!

– Jura? – pronunciei já com um sorriso nos lábios.

-Você vai competir! Em Athena.

Gelei. Congelei. Estatelei no sofá vermelho, única coisa que tinha na minha sala de estar. Morava há um pouco mais de um mês no meu primeiro apartamento, não tinha tido muito tempo de decorar. Suspirei fundo e respondi ao Fred, meu amigo-técnico-faz tudo em relação ao quesito hipismo na minha vida.

-Fred, querido. Depois você me liga pra dar detalhes. Pode ser? Acabei de chegar do trabalho, a revista tá com o deadline bem apertado e estou exausta. Ou sei lá, me manda tudo por e-mail que ai eu leio e te respondo, pode ser?

– Tudo bem, vou enviar tudo agora então. Me liga se tiver dúvidas depois de ler tudo.

Assim que desliguei, sentei lentamente no meu sofá confortável. Atônita. Perplexa. Tirei meu sapato e fui tomar um banho para ver se relaxava. Não consegui, é claro. Guardei as compras no armário e na geladeira como uma forma de adiar o inevitável: Ver o e-mail e ligar para o Fred.

A fome sumiu completamente, as borboletas insistiam em fazer um show no meu estômago. Para não dormir de barriga vazia, preparei um chá de morango e me sentei no sofá.

Sabe, eu finalmente estava num emprego ótimo e ganhava muito bem, morava sozinha, tinha minha independência financeira e tinha realizado o meu sonho: de aprender a montar a cavalo, me revelando tão boa que acabei adotando isso como um esporte a ponto de competir algumas vezes.

Esse sempre foi o meu maior desejo, acho que desde a minha infância quando eu via o meu tio caçula montar. Só fui conseguir quando adulta, de tanto o Caio insistir. Era essa uma das muitas coisas que nós dois amávamos e passávamos horas conversando.

Descobri então, acho que graças a insistência dele durante os nossos papos que eu tinha mesmo jeito para isso. Cavalos. Eu sempre fui louca por eles, assistia sempre que podia a filmes, documentários, lia livros, assim como era louca pela minha verdadeira profissão: o Jornalismo.

Peguei meu laptop de cima da mesa e fui direto na minha caixa de entrada checar o tal do e-mail. Foi inútil não me recordar dele. E o meu pensamento voou pra longe. Meu corpo estremeceu. Uma coisa louca. Lembrei que alguma semana depois daquela noite, ele foi morar justamente em Athena. Não teve como eu não associar a cidade a ele. As perguntas começaram a pipocar na minha mente enquanto eu lia o programa da competição.

“E agora, como é que ele está? Será que ele ainda morava por lá? Será que tinha namorada, noiva, esposa? Filhos” Afastei esse pensamento e me concentrei no que estava lendo.

Não tinha a mínima noção do que havia acontecido com ele, eu preferi cortar qualquer laço depois de tudo o que aconteceu. Algo me dizia que nossas vidas estavam pra se cruzar novamente. Depois de responder ao Fred, deitei e adormeci por ali mesmo. E sonhei com ele. Como uma volta ao passado…

Uma carta para ela

 

Eu sei que não nos conhecemos, que eu nunca te vi na vida e se for pra manter a minha razão em dia, espero nunca ver. Mas eu sei que você agora ocupa o lugar que antes era meu. O do coração dele. Por isso escrevo essa carta. Essa carta para você. Tipo um manual de instruções.
Eu posso até imaginar o que ele está fazendo agora. Largado no sofá, só de bermuda e chinelo vendo aquela comédia romântica que ele tanto gosta. Posso até descrever a reação dele em cada cena. Como a mocinha beija o mocinho pela primeira vez e ele ri de canto de boca. E você, no oposto da sala, na poltrona xadrex com esse papel na mão acabou de levantar o olhar para ele pra saber se eu falei a verdade.

 

mulher lendo carta

Você não tem noção do quanto eu invejo você. E não é aquela chamada ‘inveja branca’. É inveja de poder acordar ao lado dele todos os dias, de ver ele reclamar do trânsito da cidade após um dia de trabalho que ele diz que é cansativo mas que no fundo eu sei ele tanto ama.

Sinto falta das nossas discussões, das brigas e do fazer as pazes, de não falar nada, de não fazer nada. Ele já comentou com você que ele adora aquele reality show que todo mundo considera um porre? Pois bem, ele adora. Cuidado ao comentar sobre, ele sabe ser fiel a um participante e defender com unhas e dentes. Se, por um acaso, você também gostar e não puder ver, relaxa. Ele te conta tudo.
Não ligue também se ele amanhecer bem humorado. E cinco minutos o humor piorar. Essa mudança é constante. É só não dar atenção. Ele não faz por mal. Não esquente também se ele repetir a mesma coisa sempre, a cada cinco minutos. Ou quinze. Ou um dia depois. Memória não é um dos fortes dele.
Por fim, trate ele da melhor maneira possível. Ame, mas não ceda a todos os caprichos. Seja paciente. Afague seus cabelos quando ele tiver triste. Quando ele chorar. Dê risadas – como as que não dei – em cada vitória dele.
E diz que eu não estou bem. Mas que eu vou ficar.

*texto originalmente escrito em 15 de março de 2014.