Eu não sou a Jamie. Nem a Summer.

Senta ai, garota. Não vou te chamar de tola, você já sabe que é quanto se trata dele. Queria te falar uma coisa: sua vida não é como nos filmes de comédia romântica que você suspira sempre que assiste. Não é. Muito menos é igual ao clipes de músicas românticas que eu sei que você sempre refaz nessa sua mente criativa. Sim, vai dar certo no final. Mas é bem provável que não seja com aquele carinha. Pode acontecer um dia, mas não agora.

Engole o choro, ele não merece nenhuma lágrima sua. Nunca mereceu. E você sabe muito bem disso, não é? Lembra da cena daquele filme que você viu outro dia e me contou o quanto chorou? A parte do diálogo que você narrou? Desculpa falar, mas ele não vai falar igual. Muito menos te puxar pelo braço quando você sair furiosa depois de uma discussão. Fazer as pazes na cama? Esquece, isso não existe.

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Lembra quando vocês conversaram antes de rolar alguma coisa? Que independente de qualquer coisa, a amizade jamais mudaria? Como naquele filme, o “Amizade Colorida”? Desculpa estragar seus sonhos. Aquilo tudo é na tela, não tenta trazer isso pra vida real, porque.. bem.. não traga. Foi mal pelo choque de realidade. Eu precisava fazer isso com você.

O cara é desses que conseguem separar amizade de pegação. Você não e isso não te transforma em uma Jamie. Você é doce e suave demais. Se envolve demais. Sofre demais. Desiste disso enquanto é tempo. Pela sua sanidade mental.

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Um certo e-mail

Olá,

Me peguei pensando em você, na nossa amizade. E, claro. Se você tá lendo isso é por que eu me importo com você e tive coragem pra enviar esse e-mail. Sabe há quanto tempo a gente se conhece? Onze anos. Longos onze anos. Eu diria que desde sempre. O engraçado é que a vida quase nos colocou frente a frente duas vezes e você sabe disso… Mas tudo tem o seu tempo e momento certo e por obra do destino, naquele ano, caímos na mesma sala. E viramos amigos.

Se um dia me perguntassem qual personagem de cinema eu definiria nós dois.. é muito, muito fácil: Hermione e Harry Potter. Por que? Porque entre eles só existe amizade e irmandade. Pura, sabe? E te confesso que rolou umas duas cenas nos últimos filmes entre os dois que bateu uma baita inveja. Do tempo que éramos um bocado assim. Aliás, quando você me emprestou seu livro e eu fiquei séculos com ele.

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Lembrei daquele dia especial por sua causa, em que me desloquei do Rio e viajei por horas só para tá ao teu lado nesse dia especial. Quando você viajava nas férias e mesmo não curtindo muito escrever, me mandava cartas. Das cartas que trocamos, dos e-mails, dos papos.

E aê teve seu acidente. E eu sofri. Sofri pois eu sabia que pra você era uma mistura de agonia e aflição, pois ninguém sabia o dia de amanhã. Minha vontade era de largar tudo e ir te fazer companhia pra te fazer rir ou só pra gente jogar papo fora.

Ainda lembro o dia que recebi o seu e-mail dizendo que tinha passado naquela prova super difícil e que você sempre sonhou. Chorei tanto de emoção porque eu sabia que era SEU sonho realizado. E de orgulho por ter um amigo feliz e realizado. Se fechar os olhos, eu ainda revejo essa cena.

Você sempre foi muito mais que um amigo. Foi o irmão mais velho que não tive. Que corria quando eu tava com dúvida ou precisava só desabafar. Quando você me emprestava seu discman me ouvia falar hooooooooras (e quase todos os dias tb) sobre os caras, mesmo achando todos eles uns babacas. Nunca falou nada e sempre me escutava com a maior paciência.  Quando a gente não fazia nada. Era bom. Que eu falava que ia batizar meu filho (a) e que ia ser meu padrinho de casamento. É.. é, é você o cara!

E de um tempo pra cá.. o que aconteceu? Não sei. Nos afastamos. O motivo eu também não sei. Não sei se fiz algo de ruim, te magoei, te trai ou você não vai mais com a minha cara. Não sei mais da sua vida, dos seus planos ou das suas vontades. Nem você dos meus!! Somos dois estranhos, esse é a verdade. E nem sei como isso aconteceu. Ou o motivo do aconteceu. E isso dói. Muito.

Sabe que odeio o quanto eu escrevo horas e linhas e você me manda um ‘tá tudo bem’. Sabe que odeio quando você se faz de duro, mas no fundo quer mesmo é desabafar.

E do nada, aquele cara que eu mais confiava na vida não é mais meu. Meu amigo. Meu irmão. Meu confidente. Nós crescemos juntos. Foi com você meu primeiro porre. Choramos e rimos uma centena de vezes, de coisas importantes até do nada. Logo agora, que eu estou frágil e precisando de abraços e afagos ? Você vai ser de outra. Aliás, ele JÁ é de outra. Só eu não tinha percebido. Quando foi que tudo mudou? E porque eu não percebi, trouxa ? Com quem vou dividir meus pedaços de torta? Quem vai chegar no meio da noite para me consolar? De quem você vai sentir orgulho? Dói pensar sistema de atendimento on-line

Enfim. É isso. Tudo bem se você ignorar. Tudo bem se você me mandar uma linha com ‘tá tudo bem.’ Vou entender. Só queria saber o motivo desse afastamento. Eu te amo meu amigo e torço que tudo, mas tudo na sua vida dê certo.

Com amor,

Sua eterna amiga.

Um cara como você

Sabe quem é você? Você é o meu amor de adolescência. O que me fez sofrer nos meus dezesseis anos. O cara por quem eu ontem suspirava ao ouvir “hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito”. O cara por quem hoje eu dou uma risada de canto quando a frase completa “nem que seja só pra te levar pra casa. Depois de um dia normal”.

Você sabe o quanto eu sofri por você? O quanto eu chorei? Sabe, eu sei que sabe. Nós crescemos juntos, mas separados. Eu torci por você de longe. De perto. Eu te ignorei, não porque queria. Mas porque meu coração tinha uma necessidade de bloquear essa paixão que insiste em voltar toda vez em que eu te vejo. E de me enganar. Mesmo nos dias mais estranhos em que o destino resolve nos colocar frente a frente ou em um dia normal em que eu sabia a hora e o momento eu que te veria.

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Pode se passar um ano. Ou dois. Ou dez. Ou cem, sei lá. Até a  eternidade! Você era a certeza de uma paixão ou um simples sexo casual que assim que você terminava um dos seus muitos namoros que eu tive que engolir nesses últimos anos. Quão tola eu fui, né?
Vieram muitos depois de você. E não, eu não te procurava em cada cara com quem eu saia. Alias, nem lembrava de você mais. Até que eu resolvi arriscar. E, mais uma vez quebrei a cara. Como ontem. Agora chegou a hora. De eu deixar você seguir em frente. Por você. Eu acho que você nem merece tudo isso. Mas não por mim. O que eu fiz foi por você. Só por você. como perder barriga

como perder barriga

Escreve uma carta para quem você ama!

menina-escrevendo-cartaDas coisas que tenho mais saudades do meus tempos de colégio são as cartas que trocava quase que diariamente com amigas. Nada muito longo, era uma folha de fichário mesmo.  Em tempos em que não existia whatsapp nem rede social e ter crédito em celular era artigo de luxo, sim senhor, a melhor forma de se comunicar eram os famosos: bilhetes. Lembro que escrevia entre as aulas ou em casa (que eram bilhetes mais demorados e longos com direito a toda uma tradição: ‘Meu quarto, hora, o que tava ouvindo’) e durante os intervalos eu saia distribuindo! Bobo? Nada! Amava. E sinto falta, claro

E quem disse que em época de férias, isso não ocorria? Recebi sim, algumas cartas de amigos que ou iam passar férias em outro estado ou que moravam longe. Tem coisa mais legal do que você abrir a sua caixa de correio e tá lá uma carta de algum amigo? Hoje em dia são só contas, cobranças, vida adulta!

 

Pensando nisso, para reacender o charme de enviar cartas, a Chamex tá com a seguinte proposta: Você vai no site deles (www.suacartanochamex.com.br) e em 240 caracteres escreve uma carta para alguém querido. E sabe o que é mais legal? Um calígrafo (aquela pessoa que escreve com a letra cursiva, muito usada em convites de casamento, ok?) é que escreve ela e é entregue no destinatário que você quer!

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“Sua carta no Chamex: Resgate o charme de enviar cartas”

Bacana, né? Ah, já sei. Não é bom nas palavras mas adorou a ideia? Não se preocupe! No fim da página já tem cartas ‘pré escritas’ e elas se dividem em: Saudade, Filhos, Pai, Mãe, Amizade, Amor, Viagem, Convite, Desculpa e Churrasco. Eu confesso que para matar as saudades já escrevi algumas.

Gostou da ideia? Então corre lá, pega o endereço de quem você quer mandar algo especial e escreve tudo o que você tá sentindo!

 

p.s: a única coisa que não é informada no site é a demora na entrega das cartas. Portanto, não me cobrem depois, ok? Ah, a parte chata é que você só pode enviar até 3 cartas por CPF. Ou seja, vale pegar do pai, mãe, irmão se a sua lista é imensa.

Entrevista: Li Mendi

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“É preciso ir longe para chegar mais perto dos corações”

Para inaugurar o blog no quesito “Entrevistas“, convidei a jornalista, publicitária e escritora carioca Li Mendi, 29 anos, com 12 livros escritos (sendo que três deles em versões impressa) a me responder algumas perguntas. Super acessível, a Li respondeu tudo! Imagina se fiquei feliz,  né? A Li começou a escrever aos 14 anos em cadernos e passava para as amigas lerem. Recentemente, lançou o livro “Coração de Pelúcia”, em que pela primeira vez escreve sobre um personagem cego. “Eu mergulhei fundo para escrever um personagem cego. Andei pela casa de olhos vendados, tentei executar tarefas domésticas assim. Eu fiz um laboratório de verdade. E o que mais facilitou chegar naquela profundidade das falas foi o planejamento No fim, tive um enorme prazer de receber muitos e-mails de leitoras super tocadas pela estória.”, ressalta a autora dos livros como “Fonte do amor“, que foi lido recentemente por mim.

Eu conheci o trabalho da Li Mendi, em 2009, quando li ‘Um coração em guerra” (meu preferido até hoje!) e me apaixonei pela história, tanto que quando resolvi escrever um livro também (postado aqui já!), não pensei duas vezes antes de colocar o mesmo nome do personagem masculino: Caio. E é claro que eu perguntei quando eu iria ter o meu favorito “em mãos”: Fica aqui seu pedido no meu coração. Quem sabe?, respondeu carinhosamente.

Vamos acompanhar a entrevista?

Li, para começar: “Um coração em Guera” é o seu livro mais “autoral”?

A cada livro que escrevo, procuro imprimir minha marca. Tenho o estilo engraçado, gosto de fazer personagens femininas sempre em apuros e colocar os cenários brasileiros como pano de fundo. À exemplo, a Jeni (do livro Um amor ao quarto ao lado) andando pelo centro do Rio de Janeiro e narrando sua visita em um diário. Outra característica minha é intercalar uma narração feminina e outra masculina. Gosto bastante de escrever na pessoa masculina, confesso que tenho mais facilidade, acredita? 

Imagino que cada livro para você seja especial, tipo filho que ama todos do mesmo modo, já que deve te lembrar uma fase da sua vida. Qual foi o que deu mais trabalho para conectar as ideias e qual que a escrita fluiu tranquilamente? 

Todos dão trabalho. “Será uma vez 2” recebi muitas reclamações. Era um livro verdadeiro demais, com falas muito chocantes. Então, eu matei o livro. É preciso também saber quando erramos a mão ou o leitor não aceitou bem. Se eu tivesse acreditado muito, continuaria. Então, fiz um novo começo. Ai, recebi críticas também sobre a pegada do novo rumo. E escrever sob essa pressão dos comentários a cada capítulo é para os fortes (rs)! Precisei, então, parar para organizar o meu casamento e estou um pouco travada para voltar, porque você precisa ter um ritmo, como uma dança. Vou terminar um inédito que estou fazendo e fechá-lo, sim. Gostem ou não gostem rs. Eu estou gostando. Ele é super sobrenatural, um tema que curto demais.

Já teve também alguma coisa que você falou ‘não era isso que tava pensando!!‘ Mas que já tinha ido ao “ar” (em relação aos e-books)?

Sobre os erros? Vários! Ai, as leitoras avisam no Fã clube ou por e-mail e vou lá, edito, corrijo e republico. Sem orgulho. O que importa é emocionar, errar faz parte. Costuma normalmente ter a ver com passagem de tempo, idade de pessoas etc. Ou, o nome não está escrito corretamente.

Capas de alguns dos livros escritos pela Li Mendi.

Capas de alguns dos livros escritos pela Li Mendi.

Existe algum assunto que você queira muito escrever e não conseguiu colocar no papel? 

(um minuto pensando e coçando o queixo.) Não tem algo que eu queira muito, mas, que eu tenho curiosidade. Será que quando eu for mãe eu vou fazer uma personagem com um filho pequeno? Me perguntei isso um dia desses. Tem os assuntos que eu já tentei e não consigo. Hot. Eu gosto até de um toque de sensualidade, mas, não curto colocar dez palavrões para chocar e dar tesão em quem lê. Eu prefiro que alguém pegue um trecho do meu livro e cite no Facebook. Você citaria um trecho de um livro hot na parte do vamos ver? Eu compro e leio pra entender o que o mercado gosta, mas, tem horas que é mais do mesmo. É o meu momento agora. Pode ser que daqui uns dez anos eu seja autora hot (será?) e vou me achar tímida ou sei lá por ter respondido isso agora. O importante é não forçar. Se não sai, então, escreva outras coisas. Tem espaço para todos.

O que você tá achando do cenário da literatura nacional, você acredita que ele tá mais valorizado? Eu mesma já li bons livros da galera do BR. Te dá um orgulho ao ver que estão ganhando espaço na prateleira?

Eu acho que cada vez mais se vê é literatura internacional traduzida empurrando os nacionais da prateleira. Somos colocados à venda na livraria online e zero espaço nas bancadas. Exceto se for de uma grande editora e comprar espaço. Sinceramente? Acho que continuamos deslumbrados pelo que o estrangeiro lê, como fazemos nos filmes… Fui a bienal do RJ (em 2013) e não vi um espacinho gratuito para o autor nacional sentar e autografar. Mas, para os ‘pops’ estrangeiros havia palcos meteóricos. É absolutamente frustrante. E não é só a classe de autor que sofre: pintores, escultores, músicos etc. Então, eu mantenho minha profissão de publicitária, tenho meu ganha pão e escrevo pelo prazer de exercitar a escrita e emocionar pessoas. Não ganho para viver disso. 

Sacie a minha nossa curiosidade: qual livro e autor que ultimamente anda na sua cabeceira?

Acabei de ler um livro mágico: “Prova do Céu” de Eben Alexander. Um máximo! Agora? Os Iranianos de Samy Adghirni, que conta a estória do povo iraniano e mostra como nós não os conhecemos mesmo. O que está por trás da vida das mulheres de burca? Precisamos sair do nosso lugar comum, ler temas diferentes, ver filmes de outras nacionalidades, ouvir outras músicas, mudar nossas paisagens para não escrever do mesmo jeito todo dia.

E quando você tá em um processo de criação, como é a sua rotina? Como a Li se vira? (Trabalho, casa, marido, vida social)

Quando estou escrevendo um livro inédito para imprimir, eu acordo às seis hora da manhã, tomo café já ligando o PC. Escrevo até dez para as oito. E tenho que tomar banho e me arrumar para estar no trabalho as nove horas. Chego em casa às oito horas, escrevo até as dez horas. E tento ir a academia umas três vezes por semana para ficar com pique. Começo a ir a todas as peças de teatro da cidade, a ver os filmes em circuito, a ler poesias, ouvir músicas diferentes. Viro uma esponja de sensações. Preciso estar muito inspirada enquanto estou diante da tela. Fico consumida, mas, já estou agora mais acostumada e com um ritmo criado, diferente do começo. Dura em torno de três meses essa rotina.

Você casou recentemente. Já pensou em escrever um livro com essa temática casamento?

Na verdade, estamos juntos há nove anos e morávamos há dois. Agora, estamos casadinhos na igreja e foi lindíssimo. Meus livros tem muitos casamentos ao final. Mas, foi bem emocionante quando eu me vesti com um vestido incrível de renda e entrei na igreja. Acho que o próximo que tiver essa narração terá uma emoção nova, porque agora eu vivi.

Alguns livros seus já foram publicados. Você pretende lançar um novo ou resgatar um dos e-books

É complicado a estratégia de lançar um que já está na rede. É um investimento altíssimo para qualquer um poder lê-lo na internet. Eu já reeditei Alma Gêmea por Acaso e estou vendo quando conseguimos publicar. 

Para terminar, Li. Eu adoro a sua relação com as suas fãs, você não é aquela autora que tá em um pedestal, sabe? Você se aproxima delas, participa. E, agora. De quem a Li é fã incondicional e queria ter esse tipo de relação?

Eu sou muito fã de alguns que se foram. Mas, se eu pudesse viajar no tempo, eu queria ir na Confeitaria Colombo, sentar e conversar com a Clarice Lispector. Acho que eu ia chorar muito. Ou com o Nelson Rodrigues. Sabia que li os livros com as peças de teatro dele quase todas?  Tinha uma coleção na biblioteca da minha faculdade e eu ia no ônibus de volta pra casa lendo. Vivos, Li Mendi! Ah! Eu ia adorar tomar um chá com a Lya Luft ou comer biscoitinhos com a Martha Medeiros. Mas, se eu ganhasse passagens aéreas, iria adorar tomar champanhe com macarrones com a diva Sophie Kinsella. Mas, curto culturas diversas. Amo filmes espanhóis e argentinos. E… devoro a cultura Coreana. Sou assinante de viki e vejo vários Kdramas comendo pipoca, sem direito a cia, porque me concentro completamente. 

Para conhecer mais o trabalho da Li Mendi, acesse o site dela que você vai poder fazer o download dos livros.


E então, gostaram? Quem vocês queriam ver aqui no blog sendo entrevistado? Escreva sua sugestão nos comentários!

O primeiro capítulo do meu livro!

Recolhi depressa a minha roupa que estava toda espalhada pelo chão do quarto do hotel. Aquela noite, sem dúvida, foi a melhor da minha vida. Da dele também, tinha certeza. Ele tinha conseguido se formar. “Finalmente”, pensei. Depois de longos anos, o meu menino era um homem. Uma lágrima desceu e um misto de orgulho e tristeza se abateu sobre mim. Eu não poderia ficar. Não haveria futuro para nós. Mesmo que os dois quisessem.

“Maldita tequila, deveria já saber que ela não me faz nada bem. Sempre consigo fazer alguma besteira quando eu a bebo!” pensei alto, no banheiro enquanto tentava me refazer. “Ele foi incrivelmente maravilhoso essa noite, em todos os sentidos.”, refleti relembrando os detalhes. “E essa cara quando tá dormindo então? De que o mundo não oferece perigo, que é tudo calmo, fácil.”

Sentada na poltrona que ficava de frente para a cama, enquanto calçava o sapato em silêncio, fiquei o observando, concluindo que sim, eu estava apaixonada pelo Caio. Perdidamente.

“E agora?” – eu estava em um dilema! Coloquei a mão na minha cabeça, tentando pensar rapidamente. “Ficar ou ir embora?” Eu tenho que sair antes que ele acorde e a gente fique com cara de bobo olhando um para o outro. Não posso ficar mais nem um minuto aqui. Mesmo que ele me odeie, eu tenho que ir. E fui. Sem olhar pra trás, sem um bilhete ou explicação. O sutil barulho da porta fechando se confundiu ao meu coração se despedaçando.

Alguns anos depois:

Abri correndo a porta de casa, pois o telefone estava tocando. Para variar, estava toda atrapalhada, cheia de coisas para segurar. Era bolsa, chave de casa, chave do carro, sacola de supermercado. Haja equilíbrio! Isso era tão eu…Foi só colocar o pé pra dentro do apartamento recém-comprado que o barulho da ligação parou. Com sorte, quem quer que fosse ligaria de novo. E foi o que aconteceu.

– Droga! – disse largando tudo no corredor de entrada e correndo para ver se conseguia atender a ligação.

– Alô ?? – respondi com a respiração bem ofegante.

Era Fred, meu amigo que falou impaciente do outro lado da linha.

– Mas que demora !! O que houve? Tenho boas notícias, tenho certeza de que você vai adorar!

– Jura? – pronunciei já com um sorriso nos lábios.

-Você vai competir! Em Athena.

Gelei. Congelei. Estatelei no sofá vermelho, única coisa que tinha na minha sala de estar. Morava há um pouco mais de um mês no meu primeiro apartamento, não tinha tido muito tempo de decorar. Suspirei fundo e respondi ao Fred, meu amigo-técnico-faz tudo em relação ao quesito hipismo na minha vida.

-Fred, querido. Depois você me liga pra dar detalhes. Pode ser? Acabei de chegar do trabalho, a revista tá com o deadline bem apertado e estou exausta. Ou sei lá, me manda tudo por e-mail que ai eu leio e te respondo, pode ser?

– Tudo bem, vou enviar tudo agora então. Me liga se tiver dúvidas depois de ler tudo.

Assim que desliguei, sentei lentamente no meu sofá confortável. Atônita. Perplexa. Tirei meu sapato e fui tomar um banho para ver se relaxava. Não consegui, é claro. Guardei as compras no armário e na geladeira como uma forma de adiar o inevitável: Ver o e-mail e ligar para o Fred.

A fome sumiu completamente, as borboletas insistiam em fazer um show no meu estômago. Para não dormir de barriga vazia, preparei um chá de morango e me sentei no sofá.

Sabe, eu finalmente estava num emprego ótimo e ganhava muito bem, morava sozinha, tinha minha independência financeira e tinha realizado o meu sonho: de aprender a montar a cavalo, me revelando tão boa que acabei adotando isso como um esporte a ponto de competir algumas vezes.

Esse sempre foi o meu maior desejo, acho que desde a minha infância quando eu via o meu tio caçula montar. Só fui conseguir quando adulta, de tanto o Caio insistir. Era essa uma das muitas coisas que nós dois amávamos e passávamos horas conversando.

Descobri então, acho que graças a insistência dele durante os nossos papos que eu tinha mesmo jeito para isso. Cavalos. Eu sempre fui louca por eles, assistia sempre que podia a filmes, documentários, lia livros, assim como era louca pela minha verdadeira profissão: o Jornalismo.

Peguei meu laptop de cima da mesa e fui direto na minha caixa de entrada checar o tal do e-mail. Foi inútil não me recordar dele. E o meu pensamento voou pra longe. Meu corpo estremeceu. Uma coisa louca. Lembrei que alguma semana depois daquela noite, ele foi morar justamente em Athena. Não teve como eu não associar a cidade a ele. As perguntas começaram a pipocar na minha mente enquanto eu lia o programa da competição.

“E agora, como é que ele está? Será que ele ainda morava por lá? Será que tinha namorada, noiva, esposa? Filhos” Afastei esse pensamento e me concentrei no que estava lendo.

Não tinha a mínima noção do que havia acontecido com ele, eu preferi cortar qualquer laço depois de tudo o que aconteceu. Algo me dizia que nossas vidas estavam pra se cruzar novamente. Depois de responder ao Fred, deitei e adormeci por ali mesmo. E sonhei com ele. Como uma volta ao passado…

Cafés no Starbuck’s

E ai é que assumo que tenho saudades, sim. Daquele dia, de nós dois. Do reencontro. Da troca de olhares a noite toda. Do abraço no final. Do nunca mais. E eu queria falar que não sinto tua falta. Que não sinto falta dos teus ‘bom dia’ com a voz no meu ouvido. Mas faz.

Queria não sentir falta dos nossos papos idiotas no fim do dia com as pernas entrelaçadas. Ou de você torcendo o nariz ao me ver pedindo um café duplo do Starbucks para conseguir enfrentar o dia enquanto você se sustenta até a hora do almoço com um prato de cereal e leite. E o quanto eu acho isso humanamente impossível e você ri da minha cara.

 

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Tenho saudades de implorar a você que leia ‘só aquele livro, vai’ e me mostra uma cara de tédio, de que sabe que não vai ultrapassar o primeiro capítulo enquanto você fala que ver o filme é muito melhor. E que te prende muito mais a atenção que um ‘monte de letrinhas’.

De você esquecendo a toalha molhada em cima da cama, mesmo sabendo que aquilo me dá nos nervos. Sinto falta dos nossos corpos colados e suados, dançando ao som de um sertanejo romântico. Das mãos entrelaçadas. Da cumplicidade que nós tínhamos e se perdeu em um clique. Queria mesmo voltar no momento exato em que tudo acabou, um segundo antes.

E essa tua ausência é culpa minha. Do meu medo em me arriscar, em seguir em frente, em não olhar pra trás. Tive esse medo tolo de te perder, acabar com essa magia. Boba, né? Mesmo tentando evitar, não consegui. Você se foi.

E tudo isso tem quase um ano. E eu não esqueço do nosso tempo feliz, e te prometo não me perder naquela pessoa solitária e fria. E prometo tentar amar novamente. Não como te amei, mas eu prometo.

Uma carta para ela

 

Eu sei que não nos conhecemos, que eu nunca te vi na vida e se for pra manter a minha razão em dia, espero nunca ver. Mas eu sei que você agora ocupa o lugar que antes era meu. O do coração dele. Por isso escrevo essa carta. Essa carta para você. Tipo um manual de instruções.
Eu posso até imaginar o que ele está fazendo agora. Largado no sofá, só de bermuda e chinelo vendo aquela comédia romântica que ele tanto gosta. Posso até descrever a reação dele em cada cena. Como a mocinha beija o mocinho pela primeira vez e ele ri de canto de boca. E você, no oposto da sala, na poltrona xadrex com esse papel na mão acabou de levantar o olhar para ele pra saber se eu falei a verdade.

 

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Você não tem noção do quanto eu invejo você. E não é aquela chamada ‘inveja branca’. É inveja de poder acordar ao lado dele todos os dias, de ver ele reclamar do trânsito da cidade após um dia de trabalho que ele diz que é cansativo mas que no fundo eu sei ele tanto ama.

Sinto falta das nossas discussões, das brigas e do fazer as pazes, de não falar nada, de não fazer nada. Ele já comentou com você que ele adora aquele reality show que todo mundo considera um porre? Pois bem, ele adora. Cuidado ao comentar sobre, ele sabe ser fiel a um participante e defender com unhas e dentes. Se, por um acaso, você também gostar e não puder ver, relaxa. Ele te conta tudo.
Não ligue também se ele amanhecer bem humorado. E cinco minutos o humor piorar. Essa mudança é constante. É só não dar atenção. Ele não faz por mal. Não esquente também se ele repetir a mesma coisa sempre, a cada cinco minutos. Ou quinze. Ou um dia depois. Memória não é um dos fortes dele.
Por fim, trate ele da melhor maneira possível. Ame, mas não ceda a todos os caprichos. Seja paciente. Afague seus cabelos quando ele tiver triste. Quando ele chorar. Dê risadas – como as que não dei – em cada vitória dele.
E diz que eu não estou bem. Mas que eu vou ficar.

*texto originalmente escrito em 15 de março de 2014.