Eu não sou a Jamie. Nem a Summer.

Senta ai, garota. Não vou te chamar de tola, você já sabe que é quanto se trata dele. Queria te falar uma coisa: sua vida não é como nos filmes de comédia romântica que você suspira sempre que assiste. Não é. Muito menos é igual ao clipes de músicas românticas que eu sei que você sempre refaz nessa sua mente criativa. Sim, vai dar certo no final. Mas é bem provável que não seja com aquele carinha. Pode acontecer um dia, mas não agora.

Engole o choro, ele não merece nenhuma lágrima sua. Nunca mereceu. E você sabe muito bem disso, não é? Lembra da cena daquele filme que você viu outro dia e me contou o quanto chorou? A parte do diálogo que você narrou? Desculpa falar, mas ele não vai falar igual. Muito menos te puxar pelo braço quando você sair furiosa depois de uma discussão. Fazer as pazes na cama? Esquece, isso não existe.

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Lembra quando vocês conversaram antes de rolar alguma coisa? Que independente de qualquer coisa, a amizade jamais mudaria? Como naquele filme, o “Amizade Colorida”? Desculpa estragar seus sonhos. Aquilo tudo é na tela, não tenta trazer isso pra vida real, porque.. bem.. não traga. Foi mal pelo choque de realidade. Eu precisava fazer isso com você.

O cara é desses que conseguem separar amizade de pegação. Você não e isso não te transforma em uma Jamie. Você é doce e suave demais. Se envolve demais. Sofre demais. Desiste disso enquanto é tempo. Pela sua sanidade mental.

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Pode vir, estou te esperando #doismilequinze

Todo final de ano é a mesma coisa: queremos mudar. Chega 01 de janeiro e é como se fosse a segunda feira, aquele dia em que por instinto começamos a dieta (mesmo na maioria das vezes não durando o resto do dia). Bom, o fato é que as pessoas alimentam a esperança de mudança.

Elas querem (e precisam de) um start, um começo, um novo. Nunca ouvi ninguém falar que começou a dieta na sexta, dia mundialmente conhecido como aquele que podemos jacar. Precisamos de um padrão, de um dia ‘X’. E para muitos, esse dia é o dia primeiro de janeiro.

ÍndiceAcreditamos que o novo ano que começa é capaz de trazer transformações. Ano novo, vida nova. As pessoas anseiam por isso? Sim. Muito, até. Se dá certo? Bom, ninguém sabe. Depende de cada um e da vontade de mudar. E, no fim, isso que mais importa: querer. Fazemos metas (já fiz as minhas, você já fez a sua???) e tentamos ao máximo cumprir nos próximos 365 dias.

Para mim, o começo de ano é duplamente especial. Faço aniversário no fim de janeiro e acho que no meu caso o novo ano começa ali. Nova idade, novas perspectivas, sabe? Vontade de fazer tudo novo, como se um capítulo começasse, um ciclo se encerrasse. E eu tivesse a oportunidade de escrever tudo de novo.

Nesses últimos dias, como (quase) todo mundo, analisei o meu 2014. Consigo definir ele como um ano de muito amadurecimento: morei sozinha pela primeira vez em São Paulo, fiz novos amigos e mantive os antigos, li tantos livros quanto queria. Me afastei de quem era demais. Amei, chorei, ri. Agreguei, desagreguei. E, principalmente, criei esse blog depois de alguns anos longe e que é motivo de orgulho a cada feedback. Algo mais a minha cara. Ainda falta muito pra que eu tenha um ano perfeito. Tenho tanto ainda pra conquistar, tanta coisa para dar check na vida, sabe?

Nesse último post de 2014, só tenho a agradecer a cada pessoa que visitou e comentou aqui. Aos amigos que me apoiaram, que falaram ‘vai’ sempre que quis jogar pro alto. Meu muito obrigada. Agora deixa eu ir, que 2015 tá batendo ali na porta e tô doida para que ele chegue.

Vejo vocês ‘ano que vem!

Um certo e-mail

Olá,

Me peguei pensando em você, na nossa amizade. E, claro. Se você tá lendo isso é por que eu me importo com você e tive coragem pra enviar esse e-mail. Sabe há quanto tempo a gente se conhece? Onze anos. Longos onze anos. Eu diria que desde sempre. O engraçado é que a vida quase nos colocou frente a frente duas vezes e você sabe disso… Mas tudo tem o seu tempo e momento certo e por obra do destino, naquele ano, caímos na mesma sala. E viramos amigos.

Se um dia me perguntassem qual personagem de cinema eu definiria nós dois.. é muito, muito fácil: Hermione e Harry Potter. Por que? Porque entre eles só existe amizade e irmandade. Pura, sabe? E te confesso que rolou umas duas cenas nos últimos filmes entre os dois que bateu uma baita inveja. Do tempo que éramos um bocado assim. Aliás, quando você me emprestou seu livro e eu fiquei séculos com ele.

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Lembrei daquele dia especial por sua causa, em que me desloquei do Rio e viajei por horas só para tá ao teu lado nesse dia especial. Quando você viajava nas férias e mesmo não curtindo muito escrever, me mandava cartas. Das cartas que trocamos, dos e-mails, dos papos.

E aê teve seu acidente. E eu sofri. Sofri pois eu sabia que pra você era uma mistura de agonia e aflição, pois ninguém sabia o dia de amanhã. Minha vontade era de largar tudo e ir te fazer companhia pra te fazer rir ou só pra gente jogar papo fora.

Ainda lembro o dia que recebi o seu e-mail dizendo que tinha passado naquela prova super difícil e que você sempre sonhou. Chorei tanto de emoção porque eu sabia que era SEU sonho realizado. E de orgulho por ter um amigo feliz e realizado. Se fechar os olhos, eu ainda revejo essa cena.

Você sempre foi muito mais que um amigo. Foi o irmão mais velho que não tive. Que corria quando eu tava com dúvida ou precisava só desabafar. Quando você me emprestava seu discman me ouvia falar hooooooooras (e quase todos os dias tb) sobre os caras, mesmo achando todos eles uns babacas. Nunca falou nada e sempre me escutava com a maior paciência.  Quando a gente não fazia nada. Era bom. Que eu falava que ia batizar meu filho (a) e que ia ser meu padrinho de casamento. É.. é, é você o cara!

E de um tempo pra cá.. o que aconteceu? Não sei. Nos afastamos. O motivo eu também não sei. Não sei se fiz algo de ruim, te magoei, te trai ou você não vai mais com a minha cara. Não sei mais da sua vida, dos seus planos ou das suas vontades. Nem você dos meus!! Somos dois estranhos, esse é a verdade. E nem sei como isso aconteceu. Ou o motivo do aconteceu. E isso dói. Muito.

Sabe que odeio o quanto eu escrevo horas e linhas e você me manda um ‘tá tudo bem’. Sabe que odeio quando você se faz de duro, mas no fundo quer mesmo é desabafar.

E do nada, aquele cara que eu mais confiava na vida não é mais meu. Meu amigo. Meu irmão. Meu confidente. Nós crescemos juntos. Foi com você meu primeiro porre. Choramos e rimos uma centena de vezes, de coisas importantes até do nada. Logo agora, que eu estou frágil e precisando de abraços e afagos ? Você vai ser de outra. Aliás, ele JÁ é de outra. Só eu não tinha percebido. Quando foi que tudo mudou? E porque eu não percebi, trouxa ? Com quem vou dividir meus pedaços de torta? Quem vai chegar no meio da noite para me consolar? De quem você vai sentir orgulho? Dói pensar sistema de atendimento on-line

Enfim. É isso. Tudo bem se você ignorar. Tudo bem se você me mandar uma linha com ‘tá tudo bem.’ Vou entender. Só queria saber o motivo desse afastamento. Eu te amo meu amigo e torço que tudo, mas tudo na sua vida dê certo.

Com amor,

Sua eterna amiga.

Um cara como você

Sabe quem é você? Você é o meu amor de adolescência. O que me fez sofrer nos meus dezesseis anos. O cara por quem eu ontem suspirava ao ouvir “hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito”. O cara por quem hoje eu dou uma risada de canto quando a frase completa “nem que seja só pra te levar pra casa. Depois de um dia normal”.

Você sabe o quanto eu sofri por você? O quanto eu chorei? Sabe, eu sei que sabe. Nós crescemos juntos, mas separados. Eu torci por você de longe. De perto. Eu te ignorei, não porque queria. Mas porque meu coração tinha uma necessidade de bloquear essa paixão que insiste em voltar toda vez em que eu te vejo. E de me enganar. Mesmo nos dias mais estranhos em que o destino resolve nos colocar frente a frente ou em um dia normal em que eu sabia a hora e o momento eu que te veria.

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Pode se passar um ano. Ou dois. Ou dez. Ou cem, sei lá. Até a  eternidade! Você era a certeza de uma paixão ou um simples sexo casual que assim que você terminava um dos seus muitos namoros que eu tive que engolir nesses últimos anos. Quão tola eu fui, né?
Vieram muitos depois de você. E não, eu não te procurava em cada cara com quem eu saia. Alias, nem lembrava de você mais. Até que eu resolvi arriscar. E, mais uma vez quebrei a cara. Como ontem. Agora chegou a hora. De eu deixar você seguir em frente. Por você. Eu acho que você nem merece tudo isso. Mas não por mim. O que eu fiz foi por você. Só por você. como perder barriga

como perder barriga

[365] Última vez

Parece que foi ontem que a gente  se viu pela última vez. Que demos aquele último abraço e cada um seguiu pro seu lado. Eu, olhando uma última vez pra trás pra ver se você ao menos recuava e via que era eu, sim, a mulher da sua vida. Mas não. Já tem um ano.

Coloquei o play da nossa música. Peguei o vinho. Sentei no chão. Coloquei o rosto entre as pernas dobradas. Acendi a vela para comemorar esses 365 dias sem te ver. Sem você. Pode parecer estranho, mas eu aprendi tanto nesses 12 meses. Você até ficaria orgulhoso de mim, sabia? Consegui enxergar que posso sim, ser forte sem você. Que sei caminhar pelas minhas próprias pernas, sem ajuda de ninguém. E também descobri (muito) mais de você do que esses últimos anos.

largeDescobri que seus olhos brilham de um modo especial ao falar sobre sua família. Que mesmo reclamando do cansaço e das constantes viagens, tem orgulho da sua profissão. Que você é o cara mais relapso que conheci. Que você é mais legal do que eu suspeitava. E cá estou eu, 365 dias depois de te ver pela última vez.

Se eu fechar os olhos consigo ver tudo o que aconteceu naquele instante. Nossos olhos se cruzando, como numa cena de livro. O começo, o meio, o final. Tudo junto. A dança. A troca de olhares a noite toda. O abraço de despedida. O beijo no canto da boca. O último olhar.

E de lá pra cá o que aconteceu? Eu cresci muito como mulher. Eu mudei. Você também que eu sei. Tive que me apaixonar por outro alguém. Tive que te ver com outro alguém. Chorar por outro alguém. Sofrer por outro alguém. Curtir outro alguém. E eu sempre de camarote. E se quiser voltar pra mim, que volte. Que crie raízes. E que não se passe mais 365 sem te ver. Nunca mais.

 

Existe amor em São Paulo?

Ando sentindo uma saudade imensa da minha vida em São Paulo. Pera lá, vida? Sim, caras leitoras. Por quase três meses morei em São Paulo. Uhum. Imagina a cena: alguém que nunca morou longe de casa, muito menos viajou sozinha por mais de um final de semana (que foi logicamente para Esse Pê) do nada, morar sozinha. Okei, sozinha não. Mais precisamente em uma república feminina.

Quando meu pai me deixou lá, na porta, me senti pior que um cachorro abandonado em dia de mudança. Calma, eu tava em uma cidade estranha, com gente que não conhecia pela primeira vez. Quis correr. Quis voltar. Quis chorar. Na hora. Sim, sou manteiga derretida. Mas não podia esmorecer.

Tudo novo. Literalmente. Okei, eu tinha que me virar. Mas como? Sei lá. Confesso que a primeira semana foi sim, a pior. A saudade batia todo dia, queria largar tudo e voltar pro Errejota. Mas quer saber? Aquele tempo pra mim era questão de mostrar ao mundo e a mim mesma que era mais forte e responsável do que imaginava.

#ExisteMuitoAmorEmSPSim

#ExisteMuitoAmorEmSPSim

 

Minha vontade e curiosidade começou em 2009, quando fiz amizades por lá. E sempre me questionei o motivo de tanta distância. Em 2014, desbravei a cidade (okei, nem tanto o quanto queria) sozinha. Fiz (mais) amizades. Irmandades. Parcerias. Pessoas que levo do lado esquerdo do peito. E me pergunto, como falam que não existe amor em SP? Claro que existe. Concordo que os nascidos na terra da garoa não são tão receptivos quanto nós, cariocas.

Acabei por me acostumar na cidade. E me adaptar. E virar rotina. E a criar rotina. Domingo, por exemplo era dia de ir na padoca na rua de trás. E tomar um café com pão.  A noite? Olhar pro céu ouvindo música eletrônica. Falar ‘Meo’ a cada frase. Ter que ouvir que pizza não deve ser comida com catchup. Ouvir muito sertanejo.

E voltar pro Rio e sentir falta de algumas coisas. E me pergunto: como ainda falam que não existe amor em SP? Sou a prova de que existe sim. Existe muito amor em São Paulo. E me espera, pois em breve eu volto.

O primeiro capítulo do meu livro!

Recolhi depressa a minha roupa que estava toda espalhada pelo chão do quarto do hotel. Aquela noite, sem dúvida, foi a melhor da minha vida. Da dele também, tinha certeza. Ele tinha conseguido se formar. “Finalmente”, pensei. Depois de longos anos, o meu menino era um homem. Uma lágrima desceu e um misto de orgulho e tristeza se abateu sobre mim. Eu não poderia ficar. Não haveria futuro para nós. Mesmo que os dois quisessem.

“Maldita tequila, deveria já saber que ela não me faz nada bem. Sempre consigo fazer alguma besteira quando eu a bebo!” pensei alto, no banheiro enquanto tentava me refazer. “Ele foi incrivelmente maravilhoso essa noite, em todos os sentidos.”, refleti relembrando os detalhes. “E essa cara quando tá dormindo então? De que o mundo não oferece perigo, que é tudo calmo, fácil.”

Sentada na poltrona que ficava de frente para a cama, enquanto calçava o sapato em silêncio, fiquei o observando, concluindo que sim, eu estava apaixonada pelo Caio. Perdidamente.

“E agora?” – eu estava em um dilema! Coloquei a mão na minha cabeça, tentando pensar rapidamente. “Ficar ou ir embora?” Eu tenho que sair antes que ele acorde e a gente fique com cara de bobo olhando um para o outro. Não posso ficar mais nem um minuto aqui. Mesmo que ele me odeie, eu tenho que ir. E fui. Sem olhar pra trás, sem um bilhete ou explicação. O sutil barulho da porta fechando se confundiu ao meu coração se despedaçando.

Alguns anos depois:

Abri correndo a porta de casa, pois o telefone estava tocando. Para variar, estava toda atrapalhada, cheia de coisas para segurar. Era bolsa, chave de casa, chave do carro, sacola de supermercado. Haja equilíbrio! Isso era tão eu…Foi só colocar o pé pra dentro do apartamento recém-comprado que o barulho da ligação parou. Com sorte, quem quer que fosse ligaria de novo. E foi o que aconteceu.

– Droga! – disse largando tudo no corredor de entrada e correndo para ver se conseguia atender a ligação.

– Alô ?? – respondi com a respiração bem ofegante.

Era Fred, meu amigo que falou impaciente do outro lado da linha.

– Mas que demora !! O que houve? Tenho boas notícias, tenho certeza de que você vai adorar!

– Jura? – pronunciei já com um sorriso nos lábios.

-Você vai competir! Em Athena.

Gelei. Congelei. Estatelei no sofá vermelho, única coisa que tinha na minha sala de estar. Morava há um pouco mais de um mês no meu primeiro apartamento, não tinha tido muito tempo de decorar. Suspirei fundo e respondi ao Fred, meu amigo-técnico-faz tudo em relação ao quesito hipismo na minha vida.

-Fred, querido. Depois você me liga pra dar detalhes. Pode ser? Acabei de chegar do trabalho, a revista tá com o deadline bem apertado e estou exausta. Ou sei lá, me manda tudo por e-mail que ai eu leio e te respondo, pode ser?

– Tudo bem, vou enviar tudo agora então. Me liga se tiver dúvidas depois de ler tudo.

Assim que desliguei, sentei lentamente no meu sofá confortável. Atônita. Perplexa. Tirei meu sapato e fui tomar um banho para ver se relaxava. Não consegui, é claro. Guardei as compras no armário e na geladeira como uma forma de adiar o inevitável: Ver o e-mail e ligar para o Fred.

A fome sumiu completamente, as borboletas insistiam em fazer um show no meu estômago. Para não dormir de barriga vazia, preparei um chá de morango e me sentei no sofá.

Sabe, eu finalmente estava num emprego ótimo e ganhava muito bem, morava sozinha, tinha minha independência financeira e tinha realizado o meu sonho: de aprender a montar a cavalo, me revelando tão boa que acabei adotando isso como um esporte a ponto de competir algumas vezes.

Esse sempre foi o meu maior desejo, acho que desde a minha infância quando eu via o meu tio caçula montar. Só fui conseguir quando adulta, de tanto o Caio insistir. Era essa uma das muitas coisas que nós dois amávamos e passávamos horas conversando.

Descobri então, acho que graças a insistência dele durante os nossos papos que eu tinha mesmo jeito para isso. Cavalos. Eu sempre fui louca por eles, assistia sempre que podia a filmes, documentários, lia livros, assim como era louca pela minha verdadeira profissão: o Jornalismo.

Peguei meu laptop de cima da mesa e fui direto na minha caixa de entrada checar o tal do e-mail. Foi inútil não me recordar dele. E o meu pensamento voou pra longe. Meu corpo estremeceu. Uma coisa louca. Lembrei que alguma semana depois daquela noite, ele foi morar justamente em Athena. Não teve como eu não associar a cidade a ele. As perguntas começaram a pipocar na minha mente enquanto eu lia o programa da competição.

“E agora, como é que ele está? Será que ele ainda morava por lá? Será que tinha namorada, noiva, esposa? Filhos” Afastei esse pensamento e me concentrei no que estava lendo.

Não tinha a mínima noção do que havia acontecido com ele, eu preferi cortar qualquer laço depois de tudo o que aconteceu. Algo me dizia que nossas vidas estavam pra se cruzar novamente. Depois de responder ao Fred, deitei e adormeci por ali mesmo. E sonhei com ele. Como uma volta ao passado…

Cafés no Starbuck’s

E ai é que assumo que tenho saudades, sim. Daquele dia, de nós dois. Do reencontro. Da troca de olhares a noite toda. Do abraço no final. Do nunca mais. E eu queria falar que não sinto tua falta. Que não sinto falta dos teus ‘bom dia’ com a voz no meu ouvido. Mas faz.

Queria não sentir falta dos nossos papos idiotas no fim do dia com as pernas entrelaçadas. Ou de você torcendo o nariz ao me ver pedindo um café duplo do Starbucks para conseguir enfrentar o dia enquanto você se sustenta até a hora do almoço com um prato de cereal e leite. E o quanto eu acho isso humanamente impossível e você ri da minha cara.

 

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Tenho saudades de implorar a você que leia ‘só aquele livro, vai’ e me mostra uma cara de tédio, de que sabe que não vai ultrapassar o primeiro capítulo enquanto você fala que ver o filme é muito melhor. E que te prende muito mais a atenção que um ‘monte de letrinhas’.

De você esquecendo a toalha molhada em cima da cama, mesmo sabendo que aquilo me dá nos nervos. Sinto falta dos nossos corpos colados e suados, dançando ao som de um sertanejo romântico. Das mãos entrelaçadas. Da cumplicidade que nós tínhamos e se perdeu em um clique. Queria mesmo voltar no momento exato em que tudo acabou, um segundo antes.

E essa tua ausência é culpa minha. Do meu medo em me arriscar, em seguir em frente, em não olhar pra trás. Tive esse medo tolo de te perder, acabar com essa magia. Boba, né? Mesmo tentando evitar, não consegui. Você se foi.

E tudo isso tem quase um ano. E eu não esqueço do nosso tempo feliz, e te prometo não me perder naquela pessoa solitária e fria. E prometo tentar amar novamente. Não como te amei, mas eu prometo.

Uma carta para ela

 

Eu sei que não nos conhecemos, que eu nunca te vi na vida e se for pra manter a minha razão em dia, espero nunca ver. Mas eu sei que você agora ocupa o lugar que antes era meu. O do coração dele. Por isso escrevo essa carta. Essa carta para você. Tipo um manual de instruções.
Eu posso até imaginar o que ele está fazendo agora. Largado no sofá, só de bermuda e chinelo vendo aquela comédia romântica que ele tanto gosta. Posso até descrever a reação dele em cada cena. Como a mocinha beija o mocinho pela primeira vez e ele ri de canto de boca. E você, no oposto da sala, na poltrona xadrex com esse papel na mão acabou de levantar o olhar para ele pra saber se eu falei a verdade.

 

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Você não tem noção do quanto eu invejo você. E não é aquela chamada ‘inveja branca’. É inveja de poder acordar ao lado dele todos os dias, de ver ele reclamar do trânsito da cidade após um dia de trabalho que ele diz que é cansativo mas que no fundo eu sei ele tanto ama.

Sinto falta das nossas discussões, das brigas e do fazer as pazes, de não falar nada, de não fazer nada. Ele já comentou com você que ele adora aquele reality show que todo mundo considera um porre? Pois bem, ele adora. Cuidado ao comentar sobre, ele sabe ser fiel a um participante e defender com unhas e dentes. Se, por um acaso, você também gostar e não puder ver, relaxa. Ele te conta tudo.
Não ligue também se ele amanhecer bem humorado. E cinco minutos o humor piorar. Essa mudança é constante. É só não dar atenção. Ele não faz por mal. Não esquente também se ele repetir a mesma coisa sempre, a cada cinco minutos. Ou quinze. Ou um dia depois. Memória não é um dos fortes dele.
Por fim, trate ele da melhor maneira possível. Ame, mas não ceda a todos os caprichos. Seja paciente. Afague seus cabelos quando ele tiver triste. Quando ele chorar. Dê risadas – como as que não dei – em cada vitória dele.
E diz que eu não estou bem. Mas que eu vou ficar.

*texto originalmente escrito em 15 de março de 2014.