Especial 1 ano: Entrevista com Daniel Bovolento

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Há cerca de um mês, quando percebi que o “Entre Nós” estaria fazendo um ano (mas já? Parece que foi ontem!) fiquei com meus botões querendo saber como comemorar essa data tão especial para mim. Depois de ter uma infinidade de blogs, esse é o meu projeto mais sério, mais voltada para a minha profissão, o jornalismo. As postagens que faço aqui são pensadas bem direitinhas, nada de escrever qualquer coisa. E foi por isso que quebrei a cabeça quando comecei a pensar no que fazer nesse post de um ano. Dispensei logo o sorteio, queria algo beeem especial para mim, principalmente.

“Queria tanto que você tivesse gostado de mim que me esqueci de dizer antes, aquela hora em que você me acordou cedo, que você nem tinha ideia do quanto eu tinha gostado de ti. “

Trecho do texto “Eu queria que você tivesse gostado de mim”

Antes de mais nada, preciso contar a minha experiência com o Dani para essa ‘entrevista’ sair. Me armei de coragem e mandei um tweet pedindo o email dele, que to-do fofo respondeu na hora. Pronto, a sorte estava lançada. Entrevista enviada e, pasmem, respondida no mesmo dia. Sou fã do cara – ele é bem fera- , disse isso pra ele, inclusive. Quando recebi o email com a resposta, ele me deixou tão a vontade que quase liguei o computador pra contar a minha vida pra ele. Sabe quando encaixa pensamento e dúvidas? Então, foi ele. #tipoalmagêmea

Foi quando decidi entrevistar o Dani. Sim, eu faço a íntima com ele. Não conhece ele? Bom, lááá no comecinho do meu blog, eu falei nesse post do Entre Todas as Coisas, blog fundado por ele, Daniel Oliveira, 22 anos, conhecido nas redes como Daniel Bovolento. Além disso, ele tá lançando um livro – “Por onde andam as pessoas interessantes” , escreve três colunas para sites (entre eles, o SuperEla e o Casal SemVergonha que falei dos dois aqui já!) e, geralmente uma vez por semana lança um vídeo no youtube, além de trabalhar em um agência. Ufa! Cansou? Pois ele não. E ainda quer mais, vamos ler?

Começo assim, pá pum: Como foi que um garoto carioca, swing sangue bom, amante de praias foi se jogar na terra da garoa? Existe amor em SP?

Eu conto pra todo mundo que foi por trabalho, mas a verdade é que eu tava vendo a minha vida ir por um caminho muito monótono, saca? Terminei a faculdade, arrumei um emprego num lugar legalzinho, fazendo algo mais ou menos que iria me dar notoriedade na carreira corporativa e tal. Não via muito futuro nisso e vi que eu tava negando fortemente um chamado interior. Resolvi admitir que não tava feliz e consegui ser demitido. Peguei as coisas, vim tirar umas férias em São Paulo – e eu sempre amei essa cidade por algum motivo. Rolou uma entrevista de trabalho e me chamaram pra cá. Vim sem pensar duas vezes e tem sido uma experiência incrível, tenho crescido demais.

Só 22 anos e escreve sobre amor de uma forma tão pura e tão natural. Me pergunto as vezes se você existe ou se te inventaram, sabe? Como acontece esse processo? Levou pé na bunda, texto. Se apaixonou, texto. Pegou alguém na balada, texto? Ou você é daqueles que conseguem ouvir uma música e colocar em palavras um sentimento ‘desconhecido’?

Tudo e todo mundo pode virar texto. O namorado da amiga do trabalho pode virar texto, a frase estampada no outdoor de comercial de shampoo também. Uma vez eu ouvi que pra escrever bem sobre comportamento, você deveria escrever sobre o que te dá medo, ou seja, abrir o seu diário para as pessoas. Comecei a praticar assim e perceber que eu teria que me encontrar em todos os textos, até os que não falavam sobre mim. Então me pus neles. Cada personagem que já escrevi tem um pouco de mim, um pouco de quem eu gostaria de ser, de sentir, de ter vivido. Ou então eles são o que eu vi, vivi, fugi e tudo mais. Mas eu embarco muito em emoções pecualires. Ligo uma música e sintonizo o sentimento, já chorei escrevendo sobre coisa que nunca vivi. Já romantizei gente que vi em 10 minutos. Tudo é possível.

Não é novidade que você tá prestes a lançar um livro. Como foi a concepção? Acordou feliz e decidiu: ‘já plantei a árvore, o filho vai demorar e vou escrever um livro!!’ ou foi algo que você foi amadurecendo? Escrevendo uma coisa no guardanapo do happy hour, no bloco de notas do celular.. Ah, nem preciso dizer que serei a #1 na fila de lançamento aqui no Rio de Janeiro!!

O blog nasceu de uma ideia torta de escrever um livro. Com o tempo, deixei a ideia pra lá e fui brincando de blog. O negócio cresceu demais e cá estamos nós, com um lançamento pela frente. Eu queria escrever um livro que eu gostaria de ler, com as referências que gosto e que meus leitores já conhecem. Queria um livro pra deixar na cabeceira e ler de vez em quando, sabe? O que eu pensei sobre ele foi o tema, depois mudei, depois entendi qual história queria contar através dos textos dele e defini um tema central. São todas sobre mim, até as que não são. E acho que muita gente vai se identificar com ele e com o tema.

Capa do livro do Dani

Sobre a concepção: foi noite sem dormir, foi texto sendo escrito durante um encontro, foi espera de vôo na ponte aérea, foi bloco de notas do celular. Tudo quanto é jeito de escrever funciona. Eu gosto muito de virar a noite em cafés 24h aqui em SP, levar um moleskine e um computador e ficar alternando entre escrita de mão e digitação. A escrita de mão dá a impressão de que você tá “vomitando” mais no papel, porque você não edita ali na hora. Já no computador você tem um impulso maior de editar, mexer no texto, ele não sai muito cru. E eu gosto das vísceras, da coisa nua e crua, tanto é que não reviso meus textos (eu sei, deveria revisá-los, mas não reviso)

Sonhos. Você tem ou acha que eles são só aqueles que vendem nas padarias e só servem pra engordar?

O blog era um sonho. O livro era um sonho. Vir pra São Paulo era um sonho.

Acho que tenho muitos e tô conseguindo realizá-los pouco a pouco. Cada hora surge um sonho novo e noutras alguns somem. Essa é a beleza de sonhar: cada noite você pode se enfiar num desejo diferente e encontrar motivação pra perseguir algum, nem que seja o grande sonho da sua vida. Muita gente acha que sonho é pra ficar na imaginação e não tenta ir atrás do que quer. E te digo que é o maior erro dessa gente. Eu saí de lugar nenhum, um garoto suburbano que começou um blog e hoje tô lançando um livro por uma das maiores editoras do país. Sonhos acontecem e são ótimos, a gente só precisa acreditar mais e transformá-los em metas. Assim eles ficam mais próximos da realidade.

Um blog, um canal no youtube, e em breve um livro. Qual o próximo passo? Ou você faz coro com o Zeca e deixa a vida te levar?

Eu trabalho em horário integral em agência, sou editor-chefe do ETC, escrevo 3 colunas pra sites diferentes, presto consultoria de serviços de conteúdo e ainda quero botar outro blog no ar e dar mais ênfase ao YouTube. Pra esse ano os planos são seguir com tudo e dar um jeito de botar o blog novo no ar. Pro ano que vem, talvez, escrever outro livro e morar fora do país por um tempo. Eu sinto muita falta de viajar, de conhecer outras culturas, outros autores, dar um mergulho mais íntimo em mim, sabe? Tenho o sentimento de que tô perdendo algo o tempo todo, mas vou com o mundo. Onde tem oportunidade eu me enfio. Com medo, mas me enfio.

Quer conhecer mais sobre o Dani? Segue ele aqui oh, garanto que não vai se arrepender #conselhodeamiga

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Entrevista: Li Mendi

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“É preciso ir longe para chegar mais perto dos corações”

Para inaugurar o blog no quesito “Entrevistas“, convidei a jornalista, publicitária e escritora carioca Li Mendi, 29 anos, com 12 livros escritos (sendo que três deles em versões impressa) a me responder algumas perguntas. Super acessível, a Li respondeu tudo! Imagina se fiquei feliz,  né? A Li começou a escrever aos 14 anos em cadernos e passava para as amigas lerem. Recentemente, lançou o livro “Coração de Pelúcia”, em que pela primeira vez escreve sobre um personagem cego. “Eu mergulhei fundo para escrever um personagem cego. Andei pela casa de olhos vendados, tentei executar tarefas domésticas assim. Eu fiz um laboratório de verdade. E o que mais facilitou chegar naquela profundidade das falas foi o planejamento No fim, tive um enorme prazer de receber muitos e-mails de leitoras super tocadas pela estória.”, ressalta a autora dos livros como “Fonte do amor“, que foi lido recentemente por mim.

Eu conheci o trabalho da Li Mendi, em 2009, quando li ‘Um coração em guerra” (meu preferido até hoje!) e me apaixonei pela história, tanto que quando resolvi escrever um livro também (postado aqui já!), não pensei duas vezes antes de colocar o mesmo nome do personagem masculino: Caio. E é claro que eu perguntei quando eu iria ter o meu favorito “em mãos”: Fica aqui seu pedido no meu coração. Quem sabe?, respondeu carinhosamente.

Vamos acompanhar a entrevista?

Li, para começar: “Um coração em Guera” é o seu livro mais “autoral”?

A cada livro que escrevo, procuro imprimir minha marca. Tenho o estilo engraçado, gosto de fazer personagens femininas sempre em apuros e colocar os cenários brasileiros como pano de fundo. À exemplo, a Jeni (do livro Um amor ao quarto ao lado) andando pelo centro do Rio de Janeiro e narrando sua visita em um diário. Outra característica minha é intercalar uma narração feminina e outra masculina. Gosto bastante de escrever na pessoa masculina, confesso que tenho mais facilidade, acredita? 

Imagino que cada livro para você seja especial, tipo filho que ama todos do mesmo modo, já que deve te lembrar uma fase da sua vida. Qual foi o que deu mais trabalho para conectar as ideias e qual que a escrita fluiu tranquilamente? 

Todos dão trabalho. “Será uma vez 2” recebi muitas reclamações. Era um livro verdadeiro demais, com falas muito chocantes. Então, eu matei o livro. É preciso também saber quando erramos a mão ou o leitor não aceitou bem. Se eu tivesse acreditado muito, continuaria. Então, fiz um novo começo. Ai, recebi críticas também sobre a pegada do novo rumo. E escrever sob essa pressão dos comentários a cada capítulo é para os fortes (rs)! Precisei, então, parar para organizar o meu casamento e estou um pouco travada para voltar, porque você precisa ter um ritmo, como uma dança. Vou terminar um inédito que estou fazendo e fechá-lo, sim. Gostem ou não gostem rs. Eu estou gostando. Ele é super sobrenatural, um tema que curto demais.

Já teve também alguma coisa que você falou ‘não era isso que tava pensando!!‘ Mas que já tinha ido ao “ar” (em relação aos e-books)?

Sobre os erros? Vários! Ai, as leitoras avisam no Fã clube ou por e-mail e vou lá, edito, corrijo e republico. Sem orgulho. O que importa é emocionar, errar faz parte. Costuma normalmente ter a ver com passagem de tempo, idade de pessoas etc. Ou, o nome não está escrito corretamente.

Capas de alguns dos livros escritos pela Li Mendi.

Capas de alguns dos livros escritos pela Li Mendi.

Existe algum assunto que você queira muito escrever e não conseguiu colocar no papel? 

(um minuto pensando e coçando o queixo.) Não tem algo que eu queira muito, mas, que eu tenho curiosidade. Será que quando eu for mãe eu vou fazer uma personagem com um filho pequeno? Me perguntei isso um dia desses. Tem os assuntos que eu já tentei e não consigo. Hot. Eu gosto até de um toque de sensualidade, mas, não curto colocar dez palavrões para chocar e dar tesão em quem lê. Eu prefiro que alguém pegue um trecho do meu livro e cite no Facebook. Você citaria um trecho de um livro hot na parte do vamos ver? Eu compro e leio pra entender o que o mercado gosta, mas, tem horas que é mais do mesmo. É o meu momento agora. Pode ser que daqui uns dez anos eu seja autora hot (será?) e vou me achar tímida ou sei lá por ter respondido isso agora. O importante é não forçar. Se não sai, então, escreva outras coisas. Tem espaço para todos.

O que você tá achando do cenário da literatura nacional, você acredita que ele tá mais valorizado? Eu mesma já li bons livros da galera do BR. Te dá um orgulho ao ver que estão ganhando espaço na prateleira?

Eu acho que cada vez mais se vê é literatura internacional traduzida empurrando os nacionais da prateleira. Somos colocados à venda na livraria online e zero espaço nas bancadas. Exceto se for de uma grande editora e comprar espaço. Sinceramente? Acho que continuamos deslumbrados pelo que o estrangeiro lê, como fazemos nos filmes… Fui a bienal do RJ (em 2013) e não vi um espacinho gratuito para o autor nacional sentar e autografar. Mas, para os ‘pops’ estrangeiros havia palcos meteóricos. É absolutamente frustrante. E não é só a classe de autor que sofre: pintores, escultores, músicos etc. Então, eu mantenho minha profissão de publicitária, tenho meu ganha pão e escrevo pelo prazer de exercitar a escrita e emocionar pessoas. Não ganho para viver disso. 

Sacie a minha nossa curiosidade: qual livro e autor que ultimamente anda na sua cabeceira?

Acabei de ler um livro mágico: “Prova do Céu” de Eben Alexander. Um máximo! Agora? Os Iranianos de Samy Adghirni, que conta a estória do povo iraniano e mostra como nós não os conhecemos mesmo. O que está por trás da vida das mulheres de burca? Precisamos sair do nosso lugar comum, ler temas diferentes, ver filmes de outras nacionalidades, ouvir outras músicas, mudar nossas paisagens para não escrever do mesmo jeito todo dia.

E quando você tá em um processo de criação, como é a sua rotina? Como a Li se vira? (Trabalho, casa, marido, vida social)

Quando estou escrevendo um livro inédito para imprimir, eu acordo às seis hora da manhã, tomo café já ligando o PC. Escrevo até dez para as oito. E tenho que tomar banho e me arrumar para estar no trabalho as nove horas. Chego em casa às oito horas, escrevo até as dez horas. E tento ir a academia umas três vezes por semana para ficar com pique. Começo a ir a todas as peças de teatro da cidade, a ver os filmes em circuito, a ler poesias, ouvir músicas diferentes. Viro uma esponja de sensações. Preciso estar muito inspirada enquanto estou diante da tela. Fico consumida, mas, já estou agora mais acostumada e com um ritmo criado, diferente do começo. Dura em torno de três meses essa rotina.

Você casou recentemente. Já pensou em escrever um livro com essa temática casamento?

Na verdade, estamos juntos há nove anos e morávamos há dois. Agora, estamos casadinhos na igreja e foi lindíssimo. Meus livros tem muitos casamentos ao final. Mas, foi bem emocionante quando eu me vesti com um vestido incrível de renda e entrei na igreja. Acho que o próximo que tiver essa narração terá uma emoção nova, porque agora eu vivi.

Alguns livros seus já foram publicados. Você pretende lançar um novo ou resgatar um dos e-books

É complicado a estratégia de lançar um que já está na rede. É um investimento altíssimo para qualquer um poder lê-lo na internet. Eu já reeditei Alma Gêmea por Acaso e estou vendo quando conseguimos publicar. 

Para terminar, Li. Eu adoro a sua relação com as suas fãs, você não é aquela autora que tá em um pedestal, sabe? Você se aproxima delas, participa. E, agora. De quem a Li é fã incondicional e queria ter esse tipo de relação?

Eu sou muito fã de alguns que se foram. Mas, se eu pudesse viajar no tempo, eu queria ir na Confeitaria Colombo, sentar e conversar com a Clarice Lispector. Acho que eu ia chorar muito. Ou com o Nelson Rodrigues. Sabia que li os livros com as peças de teatro dele quase todas?  Tinha uma coleção na biblioteca da minha faculdade e eu ia no ônibus de volta pra casa lendo. Vivos, Li Mendi! Ah! Eu ia adorar tomar um chá com a Lya Luft ou comer biscoitinhos com a Martha Medeiros. Mas, se eu ganhasse passagens aéreas, iria adorar tomar champanhe com macarrones com a diva Sophie Kinsella. Mas, curto culturas diversas. Amo filmes espanhóis e argentinos. E… devoro a cultura Coreana. Sou assinante de viki e vejo vários Kdramas comendo pipoca, sem direito a cia, porque me concentro completamente. 

Para conhecer mais o trabalho da Li Mendi, acesse o site dela que você vai poder fazer o download dos livros.


E então, gostaram? Quem vocês queriam ver aqui no blog sendo entrevistado? Escreva sua sugestão nos comentários!